Um problema crónico de origem genética destinou Jorge Silva a uma vida com muitos problemas de saúde. Os primeiros exames foram feitos na Alemanha, mas a barreira linguística acabou por adiar o nome da doença, que só viria a conhecer aos 22 anos quando foi internado pela primeira vez: fibrose quística.
Pulmões, pâncreas e fígado são os órgãos mais afectados por esta doença, a ponto de o Jorge ter infecções pulmonares sistemáticas e não conseguir estar mais de oito dias sem tomar antibióticos. O excesso de medicamentos trouxe-lhe mais uma complicação: insuficiência renal. «É muito raro estar associada à fibrose quística», esclarece Elisabete, mulher de Jorge. Há sete anos, começou a fazer diálise. E a partir daqui tudo ficou mais difícil. A hipótese transplante, primeiro de rim, depois de pulmões, começou a ser equacionada.
No Hospital de S. João, no Porto, os médicos deram meses de vida a Jorge. Mas deram-lhe também uma esperança: fazer um duplo transplante na Corunha. Elisabete e Jorge agarraram a oportunidade. Quariam fugir à inevitabilidade de uma doença que tem uma esperança média de vida de 30 anos.
Na altura não sabiam que esta operação nunca tinha sido feita. «Pesquisei na net e não encontrei nada. Só sabia que em Espanha nunca tinham feito», conta Elisabete. «Se já se fez isto, não há registo», acrescenta Jorge.
Veja aqui a reportagem vídeo.
Chegaram à Corunha no dia 28 de Novembro de 2006. Jorge só seria operado a 3 de Outubro de 2008. A espera foi terrível para os dois. Tanto mais que lhes tinham falado em seis meses.
«Foi uma alteração muito grande na minha vida. Acompanhei-o durante cinco a seis semanas e depois tive de regressar ao trabalho e acompanhar o nosso filho. A minha vida passou a ser Portugal/Corunha. Nos primeiros nove meses ía à sexta-feira à noite para a Corunha e regressava ao domingo à noite. Depois tive de abrandar. Passei a ir de 15 em 15 dias e nas férias». Elisabete emociona-se. «É muito doloroso». Recomeça: «Acho que os primeiros meses consegui viver isto com algum cansaço, mas com relativa leveza... mas depois...».
Mais do que a distância da família e a ansiedade da espera, o mais doloroso para Jorge foi a reanimação, os 52 dias que passou nos cuidados intensivos, entubado, sem falar e sem conseguir dormir. São momentos que prefere deixar para trás. Porque agora é tempo de olhar para o futuro. Jorge Silva fez o primeiro duplo transplante do mundo e tem razões para se sentir feliz.
«Sobrevivi e rejuvenesci»
«Fui o exemplo de que nada é impossível. E aos olhos de outras pessoas com problemas similares sou um símbolo de esperança. Espero que vejam em mim uma luz, uma porta aberta», diz Jorge. Sente-se um sobrevivente? «Um bocado. Após dois anos de luta, depois de tudo o que fiz a família passar, as montanhas que cruzei... sinto que sobrevivi e que rejuvenesci».
Nesta fase, existe risco de infecções porque Jorge está a tomar uma grande dose de imunossupressores para evitar uma rejeição dos órgãos. Daí utilizar uma máscara. Mas depois quer ter uma vida normal. Agora tem três rins, dois que não funcionam e um transplantado. E tem dois pulmões novos com o código genético do dador, o que os defenderá da fibrose quística. É certo que os órgãos transplantados duram em média dez anos e depois o processo terá de ser repetido, mas não é tempo de pensar nisso.
Com 38 anos, e uma grande história para contar, Jorge quer passar os próximos meses a estabilizar e a recuperar o tempo perdido com a família. No primeiro ano terá consultas sistemáticas no S. João e muitas idas à Corunha, mas depois gostava de voltar a trabalhar. Para se sentir útil à sociedade, porque não é velho, e para ajudar a família. Porque a reforma por invalidez de 280 euros não chega sequer para pagar as desinfecções diárias e obrigatórias da sua casa.
Muito tenho a agradecer esta nova oportunidade de ter uma nova Vida, toda ela repleta de coisas boas, onde posso desfrutar ao máximo de tudo o que me rodeia... É bom poder respirar, poder caminhar, poder ser Feliz... Obrigado aos amigos, à família e a ti meu AMOR por estarem sempre comigo... Adoro-vos
domingo, 1 de março de 2009
domingo, 12 de outubro de 2008
Ester mulher determinada, cheia de garra e com muita vontade de viver foi assim que aqui chegaste… Querias ficar bem pelos teus netinhos porque eles precisavam muito de ti… Desdobravas-te em telefonemas para saber como eles estavam… ainda nos lembramos de brincarmos sobre isso…
Até que finalmente chegou o teu dia… tudo correu lindamente e dentro da normalidade… mas algo falhou e o pior aconteceu… o mundo desabou e ninguém queria acreditar que pudesse ser verdade…
Mas a vida é mesmo assim…
Armando e Deolinda pensem na mãe corajosa que tinham, sigam o seu exemplo e a sua determinação… Marta e Hélder muita força… Pensem nos vossos meninos e no Sr. Armando que agora mais do que nunca precisam de todo o carinho e apoio…
Sabem que podem sempre contar connosco… Pois o valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem… Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis…
Estarão sempre no nosso coração…
13 de Setembro de 2008
Até que finalmente chegou o teu dia… tudo correu lindamente e dentro da normalidade… mas algo falhou e o pior aconteceu… o mundo desabou e ninguém queria acreditar que pudesse ser verdade…
Mas a vida é mesmo assim…
Armando e Deolinda pensem na mãe corajosa que tinham, sigam o seu exemplo e a sua determinação… Marta e Hélder muita força… Pensem nos vossos meninos e no Sr. Armando que agora mais do que nunca precisam de todo o carinho e apoio…
Sabem que podem sempre contar connosco… Pois o valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem… Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis…
Estarão sempre no nosso coração…
13 de Setembro de 2008
segunda-feira, 7 de julho de 2008
O meu nome é Célia Pereira tenho 32 anos e vivo no Marco de Canaveses. Mas desde o dia 14 de Janeiro me encontro na Corunha, Espanha devido ao meu problema de saúde: bronquectasias, à espera que me seja dada um nova oportunidade de viver com dignidade e acima de tudo com qualidade de vida...
Tudo começou à vinte anos atrás...uma correria de médico em médico em busca do melhor, mas o diagnóstico era sempre o mesmo: bronquite.
Contudo quando finalmente dei entrada no Hospital de S. João já pouco ou nada havia a fazer...a solução era o transplante e graças aos bons profissionais que estudaram o meu processo já cá estou... Após realizar todos os exames necessários fiquei em lista de espera no Hospital Juan Canalejo, na Corunha. Agora resta esperar que surja a chamada...quando será ninguém sabe...enquanto isso todos os dias me dirijo ao hospital para fazer fisioterapia.
Resta-me apelar o todos os leitores que cada um pode doar uma parte de si para salvar ou melhorar a qualidade de vida de muitas pessoas...
segunda-feira, 7 de abril de 2008
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